Tag semântica não existe para deixar o HTML com cara de projeto "mais moderno". Ela existe para deixar a hierarquia da página óbvia.
É aí que muita implementação se perde. section vira substituto automático de <div>, article aparece em qualquer bloco grande, aside some do mapa, e o código passa a dizer mais coisas do que a página realmente quer comunicar.
Semântica boa é a que reduz ambiguidade
Na prática, a maior parte das páginas precisa marcar só o que interessa:
- onde está o cabeçalho
- onde termina a página
- qual é o conteúdo principal
- o que é complementar, mas não central
Quando isso está claro, <header>, <footer>, <main>, <article> e <aside> já resolvem quase tudo.

Repara como o exemplo é enxuto. Esse é o ponto. Em SEO, exagero de marcação costuma mais atrapalhar do que ajudar.
O erro clássico: usar tag semântica para desenhar layout
Muita gente começa a errar quando pensa: "já que existe section, vou usar em todo bloco da página". Só que section não foi feita para isso.

No exemplo acima, o <article> com <h1> faz sentido. O problema está nas várias <section> ao redor do título, sem um motivo editorial claro.
<section> deve dividir um conteúdo em partes que tenham tema próprio. Se ela entra só para separar caixas visuais, o sinal semântico perde valor.
Quando vale usar <section>
Agora, há casos em que <section> ajuda bastante. Pense numa review de celular: design, tela, câmera, bateria, desempenho. Cada parte responde a uma pergunta diferente.

Nesse cenário, a marcação ajuda porque cada bloco tem começo, meio e fim dentro do artigo.
Antes de usar <section>, vale checar:
- esse bloco trata um subtópico reconhecível?
- ele tem um título próprio, normalmente
<h2>ou<h3>? - ele continua fazendo sentido isoladamente?
- a divisão é temática e não apenas visual?
Se a resposta for não, um <div> neutro costuma ser a escolha mais honesta.
<article> e <aside> servem para mostrar peso
<article> deveria ser reservado para o conteúdo que se sustenta sozinho: um post, uma notícia, uma ficha, um review.

O que vem depois do conteúdo principal muitas vezes é útil, mas não é o foco da URL: produtos relacionados, links para leitura complementar, ofertas, caixa de autor, newsletter.

É aí que <aside> faz diferença. Ele diz ao buscador: "isso conversa com o tema principal, mas não é a peça central".
Pensando de forma simples:
<article>carrega a mensagem principal da página<aside>apoia, contextualiza ou converte, sem disputar o topo da hierarquia
Um <h1> por página ainda é a regra mais segura
O HTML5 moderno aceita múltiplos <h1> em alguns contextos. Mesmo assim, para SEO, o caminho mais seguro continua sendo um só <h1> por URL.
Esse <h1> deve ficar dentro do <article> principal. Assim, o tema central da página fica claro sem esforço.
Um caminho rápido para decidir a estrutura
Se você quiser simplificar a decisão, siga esta ordem:
- Use
<header>para cabeçalho, navegação, logo e busca. - Use
<footer>para rodapé e links institucionais. - Use
<main>apenas uma vez para o miolo da página. - Dentro de
<main>, use<article>para o conteúdo único e mais importante. - Use
<aside>para módulos relacionados, mas secundários. - Use
<section>só quando houver subtópicos reais dentro do conteúdo.

Se você já tem páginas complexas no ar, vale revisar a estrutura com uma auditoria rápida. O SEO Analyzer ajuda a cruzar problemas técnicos com sinais de relevância e rastreamento.
Outras tags semânticas que valem a pena
A semântica também aparece dentro do texto. Algumas tags que continuam úteis:
<strong>para marcar importância real<em>para dar ênfase<mark>para destacar um trecho específico<abbr>para siglas com explicação<figure>e<figcaption>para imagens e exemplos que precisam de contexto<ul>e<ol>para listas claras<table>e<caption>para dados tabulares

Tabela bem marcada continua sendo um formato excelente para mostrar informação estruturada. Quando a <caption> explica o que está sendo visto, o entendimento fica muito mais direto.
Conclusão
Usar tag semântica do jeito certo não significa encher o HTML de nomes bonitos. Significa deixar menos espaço para interpretação errada.
Quando o Google entende com facilidade o que é principal, o que é apoio e como o conteúdo foi organizado, a página ganha clareza técnica. E clareza técnica costuma andar junto com indexação mais previsível e leitura semântica melhor.
No fim, a regra é simples: use poucas tags, mas use com intenção.
Recursos
- Visão geral de elementos semânticos no W3Schools
- Ferramenta para visualizar a estrutura HTML5 de uma página: Semantic HTML5 Viewer
- Para auditar rapidamente os sinais técnicos do seu site, você pode usar o SeoSpeedup


